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Não será sempre cinza assim

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O início da estrada é uma reta. Abasteça o tanque com simplicidade, que a viagem seguirá tranquila. Aos poucos, nos deparando com as curvas, na maioria das vezes, desafiadoras. Outras curvas são alívio, pois é nelas que encontramos a essência da estrada, aquilo que nos move. Seguimos. Ao longo do caminho paramos em alguns lugares para descansar. Nessas paradas encontramos afeto, o pôr do sol, o nascer do sol, um alpendre onde o vento faz a curva... E tudo passa. Seguimos viagem. Ninguém sabe ao certo a quilometragem, mas é preciso continuar. Às vezes o pneu fura, o motor dá uma pane, a bateria descarrega. É preciso continuar. A viagem é difícil, mas vale a pena. O céu estrelado ilumina a noite dos viajantes. Durante o dia, o sol do sertão também ilumina a jornada. O cansaço chega, mas também passa e amanhã o dia renasce. O melhor dessa viagem é compartilhar a felicidade com outras pessoas que encontramos no caminho e seguem viagem com a gente. Toda manhã é um presente para o vi...

Parte III - Machu Picchu

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Há exatamente um mês estive em Machu Picchu. Vi o sol nascer em uma das sete maravilhas do mundo moderno e vivi uma realidade que ultrapassou as fronteiras de qualquer expectativa. O ano era 2004, durante as aulas de História, quando o sonho de conhecer Machu Picchu floresceu. O ano é 2017, especificamente, 06 de junho. O dia que cheguei lá. Não estava dentro de um livro, embora respirasse história naquele momento. Não era uma pesquisa do Google, embora ainda olhe para as fotos sem acreditar que estive ali. Depois de uma fila gigantesca e uma viagem de meia hora de ônibus, observando precipícios, montanhas e alguns aventureiros que percorriam o caminho a pé, cheguei. Finalmente cheguei e entendi o porquê de Machu Picchu também ser conhecida como “cidade perdida”. Uma das sete maravilhas do mundo moderno. Um sonho, um encanto! A cidadela dos Incas é longe. Requer disposição e fôlego. Cada respirada mais a fundo, cada lampejo de saudade, cada esforço, valeu e como valeu. Lembrei...

Parte II - Águas Calientes/Machu Picchu Pueblo

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Cinco graus marcaram a segunda parada para a realização do meu sonho de infância. O trem, saindo da Estação de Poroy (Cusco), partiu pontualmente às 06h40min. As janelas embaçadas pelo frio não atrapalharam o cenário natural que passava diante de mim. Eu, ainda incrédula com tamanha beleza, estava dentro de um sonho. Nunca havia viajado de trem, então acabei vivendo uma experiência que nem estava dentro do roteiro primário, mas que veio para enaltecer esta jornada pelo Peru. Congelante Não consegui pregar os olhos durante a viagem sobre os trilhos, queria deixar aquela sensação de paz e felicidade bem guardada na memória. E não tem como dormir com uma série de montanhas e o Rio Urubamba te convidando para viver este sonho. Por vezes, me perdi tentando enxergar até onde iam algumas construções Incas que já estavam à mostra. Cheguei ao Povoado de Águas Calientes/Machu Picchu Pluebo ainda pela manhã. A temperatura estava bem mais agradável que em Cusco. Ao cruzar a ponte de madei...

Meus dias no Perú - Parte I

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A cordilheira dos Andes... Tenho que começar por ela. É tão bela, tão grandiosa e delicada. Ao mesmo tempo, forte, concreta e abstrata. Uma pintura infinita aos olhos. A cordilheira dos Andes é diversidade em cada ponto. Já foi testemunha de tanta história. Fica na memória de quem passa por ela. Em alguns momentos um tom grisalho enaltece seu brilho. Cordilheira dos Andes Você já se sentiu pequeno? Eu já. Diante da Cordilheira, era tão menor de que uma formiga. E só nos resta agradecer. É uma imensidão em silêncio que diz muito. Cada turbulência enfrentada valeu a pena. Cusco. Que cidade encantadora. Um cartão postal para os olhos. Rodeada de história, beleza e montanhas que nos deixam sem fôlego, literalmente. A cidade que foi a capital do Império Inca está situada a 3.400 metros acima do nível do mar. A respiração se perde em um lance de escadas. O corpo sente a mudança climática assim que você cruza a cordilheira dos Andes. Porém, cada ladeira, cada esforço, é recompens...

O que é aproveitar a vida pra você?

É correr na Praça Alexandre Arraes ao som da música tema de Rock Balboa e me sentir o próprio Balboa. Por alguns minutos esquecer daquilo que é banal, mas que de alguma forma consegue ter um espaço saliente em sua vida. É ler poema de Pessoa e saber que sua alma, assim como a minha “é um lago de indecisões”, e quando Leminski diz “que tudo passe, mas passe bem”. E depois escrever alguns versos distraídos, entre um gole e outro de café. É ficar encantada com uma grande história (verídica ou fruto da imaginação). É se reconhecer em um personagem como me reconheço na Rory Gilmore. É sorrir por nada, até por que, desde quando é necessário de motivo pra sorrir? É escutar Adele e ser transportada para aquela melodia que fala com você. É tão empolgante quando uma música fala com você, pra você. É observar as pessoas da janela do ônibus e depois escrever sobre elas. É viajar e conhecer lugares novos. É assistir ‘Na natureza selvagem’ 10 vezes e admirar a coragem de Alexander Super...

Aviões fantásticos e outras histórias

É interessante observar o olhar de admiração/curiosidade/afeição/estranhamento que as pessoas esboçam com a chegada de um avião. Ontem estive no Aeroporto de Juazeiro do Norte e não pude deixar de notar aqueles olhares desnorteados e ao mesmo tempo focados em direção a um lugar: a pista de pouso. Do garotinho no braço da mãe à espera do pai ao velhinho que carregava em sua expressão a agonia da saudade. Olhos curiosos dançando pra lá e pra cá, numa valsa bem ensaiada e com  seriedade de m tango legítimo. Olhares aflitos na imensidão do horizonte que não apontava nenhum passarinho gigante pronto pra posar.  Um clima de agitação se instalou quando um homem gritou “Lá vem ele”. E o garotinho dizia “É papai, é papai”. Quando o avião posou foi possível sentir o alívio daquela gente que mesmo admirando a performance daquele negócio enorme, ainda não consegue confiar totalmente. São tantos “Graças a Deus” juntos que mais parecem ecos. Seguidos por “Tem que ser muito inte...

Atraso

Ninguém sabe o dia que parte Menos Seu pereira Que sabia e não escondia Seria num dia qualquer de outubro Vítima de enfarte Padre Cícero teria lhe adiantado o assunto O finado mês chegou Seu Pereira começou os preparativos  Estava pronto pra enfrentar seu destino Se é pra morrer tem que ser com dignidade Jamais de improviso Encomendou caixão, velas e ingredientes pro caldo Chamou até gente pra fingir saudade E ficou de sobreaviso Convidou o povo pro velório Outubro passou e nada aconteceu Seu Pereira indignado continuou o falatório Sobre sua morte que não veio Diante do imprevisto Percebeu que aquilo era um sinal De que talvez fosse imortal Deixou de tomar os remédios Acendeu o cachimbo Foi refletir lá pras banda do quintal E passou o resto dos dias morrendo de tédio No alpendre divagou Sobre o tempo e o destino De repente lhe deu uma caganeira E Diante de uma suadeira e grave situação Seu Pereira morreu naquele dia...